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Água de hemodiálise: entenda a importância do tratamento e monitoramento

A qualidade da água utilizada na hemodiálise é um fator crítico para a segurança do paciente e a eficácia do tratamento. Diferente de outras aplicações, a água para hemodiálise entra em contato direto com a corrente sanguínea, ainda que de forma indireta, exigindo padrões extremamente rigorosos de tratamento, controle e monitoramento.

Neste artigo, você vai entender como funciona a hemodiálise, por que a água precisa ser ultrapurificada, quais são as etapas do tratamento, as exigências legais no Brasil e a importância do monitoramento contínuo da qualidade da água.

O que é hemodiálise e por que a água é tão importante?

Os rins são responsáveis por funções essenciais ao organismo, como a eliminação de resíduos metabólicos, o controle do equilíbrio hídrico e eletrolítico e a manutenção do equilíbrio ácido-base. Quando ocorre um comprometimento da função renal, seja de forma aguda ou crônica, a diálise passa a ser indicada como uma terapia renal substitutiva.

A hemodiálise é o método no qual o sangue do paciente é bombeado para uma máquina que realiza a filtração por meio de uma membrana semipermeável. Nesse processo, substâncias em excesso no sangue, como ureia, creatinina, potássio, sódio e outros resíduos metabólicos, são removidas.

Para que essa troca aconteça de forma segura, é utilizado um líquido chamado dialisato, cuja base é água ultrapurificada. Qualquer falha na qualidade dessa água pode resultar em consequências graves para o paciente.

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O que é o dialisato?

O dialisato é a solução utilizada durante a sessão de hemodiálise e tem como função permitir a troca de substâncias entre o sangue e o meio externo. Ele é composto por:

  • Água ultrapurificada
  • Sais e eletrólitos (sódio, potássio, cálcio, magnésio e cloreto)
  • Bicarbonato
  • Glicose

Esses componentes são ajustados em concentrações específicas para cada paciente, garantindo o equilíbrio adequado durante o tratamento. Em média, cada sessão de hemodiálise consome cerca de 120 litros de água tratada, o que reforça a importância do controle rigoroso da qualidade.

Etapas do tratamento da água para hemodiálise

A água utilizada nos serviços de hemodiálise geralmente é proveniente de rede pública ou de poços subterrâneos. No entanto, essa água não atende, naturalmente, aos padrões exigidos para uso em diálise, sendo necessário um sistema de tratamento específico.

1. Pré-tratamento da água

O pré-tratamento tem como objetivo remover contaminantes que podem comprometer a segurança do paciente e danificar os sistemas de tratamento posteriores, como a osmose reversa.

As principais etapas incluem:

  • Deionizadores

Responsáveis pela remoção de sais e partículas em suspensão, protegendo as membranas do sistema de osmose reversa.

Utilizam resinas com afinidade por cálcio e magnésio, removendo a dureza da água e substituindo esses íons por sódio, que será posteriormente eliminado na osmose reversa.

Essenciais para a remoção de cloro, cloraminas e compostos orgânicos. O controle rigoroso desses filtros é fundamental, pois o carvão ativado pode favorecer a proliferação bacteriana se não houver manutenção adequada.

A presença de cloro ou cloraminas no dialisato pode causar hemólise, uma condição grave caracterizada pela destruição das hemácias.

2. Osmose reversa

Após o pré-tratamento, a água segue para o sistema de osmose reversa, considerado o coração do tratamento de água para hemodiálise.

Nesse processo, uma pressão superior à pressão osmótica é aplicada, forçando a passagem da água através de uma membrana semipermeável. Essa membrana é capaz de reter mais de 95% dos contaminantes químicos e microbiológicos, incluindo metais pesados, bactérias e endotoxinas.

3. Desinfecção por ultravioleta

Como etapa final, a água passa por um sistema de desinfecção por luz ultravioleta, reduzindo ainda mais o risco microbiológico antes de ser armazenada e distribuída para os pontos de uso.

Armazenamento e distribuição da água tratada

Após o tratamento, a água é armazenada em tanques projetados para preservar sua qualidade. Esses reservatórios devem:

  • Ser fabricados com materiais compatíveis
  • Possuir fundo cônico
  • Permitir limpeza e desinfecção adequadas
  • Não interferir na qualidade físico-química e microbiológica da água

Todo o sistema de armazenamento e distribuição deve atender às exigências da RDC nº 11/2014, garantindo que a água mantenha sua qualidade até o ponto de uso.

Monitoramento da qualidade da água de hemodiálise

Mesmo com um sistema de tratamento eficiente, o monitoramento constante da água é indispensável. O desgaste natural dos equipamentos, a saturação das membranas e falhas operacionais podem comprometer a eficiência do sistema.

No Brasil, o controle da qualidade da água para hemodiálise é regulamentado principalmente pelas seguintes normas:

  • RDC nº 154/2004
  • RDC nº 11/2014

Essas legislações estabelecem limites rigorosos para contaminantes químicos e microbiológicos, além da frequência mínima de análises.

Principais parâmetros monitorados

Entre os parâmetros mais críticos estão:

  • Coliformes totais
  • Contagem de bactérias heterotróficas
  • Endotoxinas
  • Metais pesados (alumínio, chumbo, cádmio, mercúrio, entre outros)
  • Íons como cálcio, magnésio, sódio, potássio e sulfato
  • Cloro, cloramina e fluoreto

O não atendimento a esses limites pode causar reações adversas graves, como:

  • Reações pirogênicas
  • Anemia hemolítica
  • Encefalopatias
  • Distúrbios neuromusculares
  • Síndrome da água dura

A EP Analítica atua como parceira técnica dos serviços de hemodiálise, realizando análises laboratoriais químicas e microbiológicas com alto rigor técnico, assegurando a conformidade da água utilizada com os padrões exigidos pela legislação vigente.

A importância do controle: um alerta da história

A Tragédia da Hemodiálise de 1996, em Pernambuco, é um marco trágico que reforça a necessidade do controle rigoroso da água utilizada nesse tipo de tratamento. Na ocasião, mais de 60 pacientes morreram após serem expostos à água contaminada por toxinas (microcistina-LR), que não foram removidas adequadamente pelo sistema de tratamento.

Esse episódio evidencia que falhas no tratamento e no monitoramento da água podem ter consequências fatais.

Conclusão

A água utilizada na hemodiálise deve atender aos mais altos padrões de qualidade, pois qualquer contaminação representa risco direto à vida do paciente. As legislações brasileiras evoluem continuamente para acompanhar os avanços científicos e garantir maior segurança no tratamento.

Nesse contexto, o tratamento adequado da água e o monitoramento sistemático dos parâmetros físico-químicos e microbiológicos não são apenas exigências legais, mas uma responsabilidade técnica e ética.

A EP Analítica atua com foco na excelência técnica, oferecendo análises químicas e microbiológicas para água de hemodiálise com métodos atualizados, equipamentos de alta performance e total conformidade com a legislação vigente. 

Nossa equipe está preparada para apoiar serviços de saúde no controle rigoroso da qualidade da água, contribuindo para a segurança dos pacientes e a confiabilidade dos tratamentos.

Serviços da EP Analítica sobre água de hemodiálise

Nosso laboratório é acreditado ABNT NBR ISO/IEC 17025, garantindo que todos os processos e análises sejam realizados com rigor técnico e confiabilidade comprovada. Contamos com profissionais altamente capacitados e treinados, além de métodos e equipamentos de ponta, permitindo gerar resultados consistentes e precisos. Com essa acreditação, asseguramos conformidade com a legislação vigente sobre qualidade da água para hemodiálise, oferecendo aos nossos clientes a confiança de que estão recebendo serviços de excelência e total segurança para o tratamento de seus pacientes.

Terceirização de laboratório

Referências

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